quinta-feira, 9 de abril de 2015

Probabilidades da Economia Brasileira

A probabilidade de a economia brasileira já estar em recessão é de 90%, aponta estudo entregue com exclusividade ao Broadcast pelo Banco Cooperativo Sicredi. O trabalho tomou como premissa o critério de classificação de recessões do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Ou seja, a avaliação de séries econômicas de diversos indicadores que podem identificar o curso de um declínio na taxa de crescimento antes de se confirmar uma recessão técnica de dois trimestres seguidos de Produto Interno Bruto (PIB) negativo.

Quando se expurga do modelo o Índice de Confiança da Indústria (ICI), a probabilidade de a economia estar em recessão cai para 20% - indicativo de que a indústria responde destacadamente pelo arrefecimento por qual passa a economia brasileira. Existem duas ou mais formas de classificar recessões econômicas. A mais usual é aquela que aceita como tal o registro de dois trimestres consecutivos de PIB negativo. O Ibre, tem como critério a avaliação de séries econômicas de diversos indicadores, cruzando-as com períodos em que a economia de fato entrou em rota de declínios.

Indicadores como expedição de papelão ondulado (ABPO), base monetária, consultas em bases de dados do comércio de São Paulo, empregos formais, confiança do consumidor e da indústria, entre outros, mostram isso. Interessante, é que quando se retira o Índice de Confiança da Indústria (ICI) do exercício o modelo mostra num primeiro instante que a equação está incompleta. Mas depois, forçado a rodar assim mesmo, o modelo mostra que a probabilidade de a economia já se encontrar em recessão cai para 20%.

A conclusão é de que muito dos 90% de probabilidade de a economia estar em processo de declínio na sua taxa de crescimento se deve ao mau comportamento da indústria. Isso é explicado pelo fato do ICI ter chegado a 87 pontos, o que ocorreu só em períodos em que o Brasil esteve em recessão. Colabora para o mau momento da economia o fato de que em outras épocas, a despeito de a indústria não crescer ou crescer menos, a agropecuária e os segmentos de serviços mostravam taxas destacadas de crescimento. Agora, serviços e agropecuária estão crescendo menos. "Caracteriza-se assim um quadro que não acontecia desde 2009. Agora, as diversas variáveis de confiança estão caindo para níveis não vistos antes.

É pertinente a probabilidade de 90% de a economia brasileira já se encontrar em recessão porque, além de os indicadores antecedentes de atividade já trazerem resultados negativos, a consolidação dos dados econômicos no primeiro trimestre levou a uma baixa taxa de crescimento do PIB, de apenas -0,6%.


O segundo trimestre, segundo parte majoritária dos analistas do mercado financeiro, deve se encerrar com a economia adentrando mais no campo negativo. No Sicredi, a previsão é de uma queda de 0,1%. Não dá, porém, para assegurar que a economia brasileira terá dois ou três trimestres consecutivos de queda do PIB. Mesmo porque, os setores da economia que viram suas respectivas atividades caírem poderão se recuperar aos poucos.

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