A probabilidade de a economia brasileira já estar em recessão é de
90%, aponta estudo entregue com exclusividade ao Broadcast pelo Banco
Cooperativo Sicredi. O trabalho tomou como premissa o critério de classificação
de recessões do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio
Vargas (FGV). Ou seja, a avaliação de séries econômicas de diversos indicadores
que podem identificar o curso de um declínio na taxa de crescimento antes de se
confirmar uma recessão técnica de dois trimestres seguidos de Produto Interno
Bruto (PIB) negativo.
Quando se expurga do modelo o Índice de Confiança da Indústria
(ICI), a probabilidade de a economia estar em recessão cai para 20% -
indicativo de que a indústria responde destacadamente pelo arrefecimento por
qual passa a economia brasileira. Existem duas ou mais formas de
classificar recessões econômicas. A mais usual é aquela que aceita como tal o
registro de dois trimestres consecutivos de PIB negativo. O Ibre, tem como
critério a avaliação de séries econômicas de diversos indicadores, cruzando-as
com períodos em que a economia de fato entrou em rota de declínios.
Indicadores como expedição de papelão ondulado (ABPO), base
monetária, consultas em bases de dados do comércio de São Paulo, empregos
formais, confiança do consumidor e da indústria, entre outros, mostram isso.
Interessante, é que quando se retira o Índice de Confiança da Indústria (ICI)
do exercício o modelo mostra num primeiro instante que a equação está
incompleta. Mas depois, forçado a rodar assim mesmo, o modelo mostra que a
probabilidade de a economia já se encontrar em recessão cai para 20%.
A conclusão é de que muito dos 90% de probabilidade de a economia
estar em processo de declínio na sua taxa de crescimento se deve ao mau
comportamento da indústria. Isso é explicado pelo fato do ICI ter chegado a 87
pontos, o que ocorreu só em períodos em que o Brasil esteve em recessão.
Colabora para o mau momento da economia o fato de que em outras épocas, a
despeito de a indústria não crescer ou crescer menos, a agropecuária e os
segmentos de serviços mostravam taxas destacadas de crescimento. Agora,
serviços e agropecuária estão crescendo menos. "Caracteriza-se assim um
quadro que não acontecia desde 2009. Agora, as diversas variáveis de confiança
estão caindo para níveis não vistos antes.
É pertinente a probabilidade de 90% de a economia brasileira já se
encontrar em recessão porque, além de os indicadores antecedentes de atividade
já trazerem resultados negativos, a consolidação dos dados econômicos no
primeiro trimestre levou a uma baixa taxa de crescimento do PIB, de apenas
-0,6%.
O segundo trimestre, segundo parte majoritária dos analistas do
mercado financeiro, deve se encerrar com a economia adentrando mais no campo
negativo. No Sicredi, a previsão é de uma queda de 0,1%. Não dá,
porém, para assegurar que a economia brasileira terá dois ou três trimestres
consecutivos de queda do PIB. Mesmo porque, os setores da economia que viram
suas respectivas atividades caírem poderão se recuperar aos poucos.

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