No Brasil ocorrem 132 mortes por ano devido a descargas elétricas atmosféricas, os
raios, o que nos coloca na quinta posição de fatalidade entre os países com
estatísticas confiáveis. E a probabilidade de um homem ser atingido por uma
dessas descargas, curiosamente, é dez vezes maior que a de uma mulher. Além
disso, a probabilidade de ser vítima de um raio na fase adulta é o dobro da
representada tanto por jovens quanto idosos. Viver na zona rural ou urbana
também altera essas chances. Na área rural, a probabilidade de receber uma
descarga é dez vezes maior.
O Brasil é um dos poucos países que dispõe de
um mapeamento detalhado das circunstâncias das mortes por descargas elétricas
atmosféricas, o que pode contribuir significativamente para aperfeiçoar as
regras nacionais de proteção contra o fenômeno. Nos Estados Unidos, a
circunstância que mais provoca mortes por raios são as atividades esportivas ou
de recreação, como pescar, acampar e jogar golfe, diferentemente do Brasil. Uma
análise sociológica permite deduzir que essa diferença está atrelada
principalmente ao fato de os Estados Unidos serem um país desenvolvido e o
Brasil estar ainda em desenvolvimento. Assim, atentar para a proteção de
pessoas jogando golfe não seria a melhor forma de fazer uma campanha de proteção nacional. O ideal é
instruir a população a não realizar atividades agropecuárias (causa principal
das fatalidades no Brasil), assim como orientar as pessoas a não permanecerem
próximas aos meios de transporte, sob árvores e em campo de futebol durante as
tempestades.
A incidência média de raios por ano no Brasil
na última década foi de cerca de 57 milhões. O estado do Amazonas registrou o
maior valor, com cerca de 11 milhões de raios. São Paulo registrou cerca de 2,3
milhões de raios por ano. Em relação a municípios, Manaus apresentou o maior
número de fatalidades (16 casos), seguido por São Paulo com (14). O número de
fatalidades não corresponde diretamente ao valor anual da incidência de raios
no Brasil ponderado pela população de cada estado. Isso sugere que outros
fatores, além da incidência de raios, devem ser considerados.
Alguns desses fatores provavelmente são as
diferentes proporções da população urbana e rural em cada estado, devido à
diferença da probabilidade de morrer atingido nas áreas rurais e urbanas, e
também pelos hábitos de vida da população, distintos em cada região do país.
Outro fator relevante é o fato de que as mortes por raios diminuem quando a
população se torna mais ciente dos riscos.

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